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12 Abril 2019 - 17:50

Protesto contra retirada da Caixa do Conselho Curador do FGTS e defesa do papel social do banco marcam negociação

Foram debatidos ainda outros pontos como intervalo de 30 minutos, Saúde Caixa, contratação de mais empregados, Fórum de Condições de Trabalho, agências digitais dentre outros

A negociação da mesa permanente, realizada nesta sexta-feira (12), em Brasília (DF), foi marcada por um protesto contra a redução da participação dos trabalhadores no Conselho Curador do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) e a retirada da representação do banco nesta instância, previsto no Decreto nº 9.737/19. Com uma faixa em defesa do fundo, os representantes dos empregados destacaram a falta de posicionamento da direção da Caixa sobre a medida.

 “O que nós estamos vendo é uma verdadeira manipulação midiática por parte da direção da Caixa e que contradiz as declarações do Presidente de que defende o banco. “Não se pode falar em defesa da empresa se estamos perdendo assento no Conselho Curador do FGTS, assistimos ao vazamento de informações sobre o provisionamento do balanço, o que fragiliza a empresa no mercado, e a redução de investimentos na marca da Caixa. As notícias e medidas da direção do banco estão voltadas para o enfraquecimento da sua posição no mercado e no cumprimento de sua função pública”, questionou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Dionísio Reis, ressaltando que tudo isso só fragiliza o banco.

Na reunião, os representantes dos empregados voltaram a cobrar contratação de mais empregados, melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros, respeito a jornada de trabalho nas agências digitais e melhorias no Saúde Caixa.

Contratação de empregados

O presidente do banco assumiu o compromisso em reunião com as entidades representativas dos trabalhadores de fazer novas contratações até atingir o teto estabelecido pelo SEST de 87 mil empregados. “Mas a informação que nos foi dada na mesa é de que estão sendo feitos estudos, mas não tem nada de concreto. Enquanto isso, nas unidades, a rotina é de sobrecarga de trabalho”, destaca Dionísio.

Intervalo 30 minutos

 

A Caixa anunciou que foi adiada do dia 15 para 22 de abril a implantação do intervalo de 30 minutos para os empregados com jornada de seis horas. A ampliação do descanso, que antes era de 15 minutos, foi uma conquista do Acordo Coletivo de Trabalho 2018/2020, com objetivo garantir a saúde dos trabalhadores.  A CEE levou para mesa a reivindicação dos empregados de que o cumprimento do intervalo seja opcional. Ficou definido que o tema voltará a ser debatido na próxima reunião, para avaliar o impacto da aplicação do intervalo e eventuais demandas dos trabalhadores.

Fechamento de agências

Sobre o fechamento de agências, a Caixa informou que não existe previsão para que ocorram e assumiu o compromisso de comunicar o Sindicato e demais entidades representativas sobre o encerramento de unidades, ao mesmo tempo em que as superintendências forem comunicadas.    

 Agências digitais

A principal reivindicação da CEE foi o respeito a jornada de trabalho dos gerentes gerais dessas unidades, que segundo denúncias encaminhadas aos sindicatos, chegam a trabalhar até 12 horas. A comissão cobrou o registro de ponto desses trabalhadores.

 Saúde Caixa

A CEE/Caixa cobrou o compromisso de ativação de comitês de credenciamento e descredenciamento por Gipes e Repes com a participação dos trabalhadores, e com a demanda de também serem responsáveis por receber as reclamações relativas ao plano de saúde. O banco informou que até o final da próxima semana encaminhará a relação dos comitês que estão instalados. “A defesa do Saúde Caixa interessa a nós empregados e nossa luta é pela sua sustentabilidade e melhora em seu atendimento”, disse Dionísio Reis.

Os representantes do banco se comprometeram também a apresentar na próxima reunião do GT Saúde Caixa, que deve ocorrer em maio, os demonstrativos financeiros mais detalhado do plano de saúde. 

Tesoureiros

As condições de trabalho dos tesoureiros voltaram a ser debatidas na mesa de negociação permanente. Representantes dos empregados relataram vários problemas, entre eles a redução absurda do encaixa das unidades, meta de redução de carro forte, desvio de função e penalização dos trabalhadores que descumprem normas relativas às suas atribuições por seguirem determinação ordem dos gestores. A Caixa se comprometeu à encaminhar comunicado às unidades orientando que o normativo seja devidamente cumprido.

 A comissão orienta os sindicatos a realizarem reuniões com os tesoureiros para debater propostas de melhorias das condições de trabalho, a serem encaminhadas à mesa de negociação. 

GANs

A CEE/Caixa também protestou contra o descomissionamento dos gerentes de Atendimento e Negócios (GANs) PJ.  Por conta do processo de verticalização, estes empregados que eram gerentes de Pessoa Jurídica, foram prejudicados. “Estão fazendo as mesmas atividades e ganhando menos. E agora o requinte de crueldade do banco é abrir PSI para as funções que foram retiradas naquela restruturação”, denuncia o coordenador da comissão.

Cobrada sobre o fim da dotação de orçamentária de horas extras e do impedimento de empregados de agências ditas não doadoras participarem dos Processos Seletivos Internos (PSIs), a Caixa informou que as duas medidas serão mantidas.

A Caixa também negou a reivindicação de reverter os reflexos financeiros para os empegados que se desligaram do banco após a greve de 2017.

Conecef

Em reunião preparatória da negociação, realizada nesta quinta-feira (11), a CEE/Caixa iniciou os preparativos do 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que será realizado em São Paulo nos dias 15 e 16 de junho.

 “É fundamental o engajamento dos trabalhadores de todo o país para juntos definirmos estratégias de enfrentamento deste cenário de ataque e fragilização da Caixa e dos empregados da instituição. Vamos resistir juntos”, finaliza Dionísio Reis.

 

 

 

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